Boletim 42
Tupã | Agosto | 2026
RECONTANDO TUPÃ: DIVERSIDADE, MEMÓRIA E REPRESENTAÇÃO

“A execução da curadoria de exposições segue princípios específicos visando referenciar a presença do objeto no espaço e dar importância ao contexto no qual é colocado”
(Barbosa, 2013, p. 139).
Em meio à recente intervenção na exposição de longa duração, o módulo que antes era denominado “Creio em Tupan”, apresentando apenas os imigrantes, teve seu conceito repensado na nova expografia. Em constante diálogo com os objetivos da nova exposição, o setor educativo buscou expandir a representatividade do módulo em questão, passando a contemplar de forma permanente a população negra do município, bem como os indígenas que já habitavam o território e os que migraram para a região de Tupã, tecendo com mais detalhes a trama sócio-histórica do munícipio que, por vezes, silenciou vozes de grupos e sujeitos.
Segundo Moraes (2011) a forma como um museu constrói suas exposições e coleções diz muito sobre sua essência, é por meio da curadoria que a instituição expressa seu pensamento, sua organização interna e seu diálogo com o público, ao levar em consideração essa dinâmica e o contexto histórico do município de Tupã a equipe educativa levou em consideração a chegada desde os portugueses, alemães, árabes, russos, espanhóis, letos e italianos, passando pelos japoneses, negros e, primordialmente os povos indígenas, como os Krenak, Terena e Guarani. Ao escolher expor peças de diferentes povos, o núcleo educativo estimula o público a conhecer as múltiplas origens que formam nossa identidade e a celebrar a nossa diversidade, construída a partir das riquezas, lutas e histórias próprias de cada cultura.
Além disso, a equipe educativa elaborou atividades imersivas, que convidam os visitantes a refletirem sobre essas trajetórias: oficinas, rodas de conversas e visitas orientadas exploram as vivências de cada grupo, aproximando a comunidade da história viva. Dessa forma, a experiência educativa não apenas apresenta o passado, mas engaja os visitantes na construção de um futuro mais inclusivo e plural.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
BARBOSA, C. A era da curadoria. Museologia & Interdisciplinaridade, Brasília, v. 2, n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/museologia/article/view/16370. Acesso em: 03 jun. 2026.
XAVIER, B.; MORAES, J. Curadorias compartilhadas em museus: Definições e práticas a partir da Exposição Dja Guata Porã: Rio De Janeiro Indígena, No Museu De Arte Do Rio. Disponível em: https://static.even3.com/anais/946659.pdf. Acesso em: 03 jun. 2026.
MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO ÍNDIA VANUÍRE. Plano Educativo. Brodowski. ACAM Portinari. SEC. 2025.
MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO ÍNDIA VANUÍRE. Plano Museológico. Brodowski. ACAM Portinari. SEC. 2021. Disponível em: https://museuindiavanuire.org.br/. Acesso em: 07 jun. 2025.




