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Os registros audiovisuais indígenas na exposição de longa duração “Intervenção Tupã”

Publicado em: 1 de novembro de 2026

Na exposição “Intervenção Tupã”, do Museu Índia Vanuíre, os registros audiovisuais convidam o público a conhecer histórias do Centro-Oeste Paulista a partir das experiências compartilhadas por representantes das Terras Indígenas Vanuíre, Icatu e Araribá. Os vídeos reúnem relatos dos povos Kaingang, Krenak, Terena e Guarani Nhandewa. Ao acompanhá-los, o visitante pode conhecer trajetórias, vivências de luta e a importância das práticas culturais para os participantes e suas comunidades.

A exposição apresenta vídeos produzidos durante sua reestruturação e registros anteriores. Alguns integravam a exposição que a antecedeu e foram mantidos por decisão dos próprios povos indígenas. Relatos gravados em diferentes momentos passam, assim, a compor a narrativa da nova exposição. Essa escolha evidencia que a participação indígena envolve também decidir quais histórias devem integrar os conteúdos apresentados pelo Museu. Ao discutir a colaboração como método, Cury (2020, p. 172) a caracteriza como “um lugar metodológico novo que promove pluralidade, multivocalidade e a divisão de poder na tomada de decisão”.

Além de comunicar essas vivências, os vídeos constituem documentos que precisam ser preservados. Conforme Padilha (2014, p. 13), um “documento se relaciona a qualquer objeto produzido pela ação humana ou pela natureza, independentemente do formato ou suporte”. É possível conhecer não apenas o que os participantes relatam, mas também suas maneiras de se expressar.

A documentação museológica contribui para ampliar e democratizar o conhecimento produzido no museu (ACAM Portinari, 2010). Informações como os nomes dos participantes, suas formas de atuação nas comunidades, os povos e territórios, além das datas e das circunstâncias das gravações, ajudam a compreender os depoimentos em seus contextos. Preservar os registros e manter essas informações vinculadas a eles favorece o acesso a esses materiais e sua compreensão ao longo do tempo.

Ao compartilhar suas experiências e participar da escolha das narrativas, os representantes indígenas atuam na construção dos conteúdos apresentados ao público. Esses relatos aproximam o visitante das vivências narradas e convidam a reconhecer os povos indígenas como protagonistas de suas histórias. Sua presença na exposição se relaciona à missão institucional de valorizar e comunicar o legado dos povos indígenas do Centro-Oeste Paulista (Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, 2022).

Referências

ACAM PORTINARI. Documentação e conservação de acervos museológicos: diretrizes. Brodowski: Associação Cultural de Amigos do Museu Casa de Portinari; São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 2010.

CURY, Marília Xavier. Política de gestão de coleções: museu universitário, curadoria indígena e processo colaborativo. Revista CPC, v. 15, n. 30 esp., p. 165-191, 2020.

MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO ÍNDIA VANUÍRE. Plano Museológico. Brodowski: ACAM Portinari, 2018. Revisado em 2022.

PADILHA, Renata Cardozo. Documentação museológica e gestão de acervo. Florianópolis: FCC, 2014. (Coleção Estudos Museológicos, v. 2).